Marchando com o inimigo


Carlito Merss (PT) está se tornando um excelente cabo eleitoral para José Serra/PSDB (direita). À frente da maior cidade do Estado, o prefeito de Joinville está sepultando de vez as pretensões da “companheira petista Dilma (esquerda)” de derrubar o tucano na cidade.

Marchando com o inimigo (2)
Não é à toa que a última pesquisa Datafolha (divulgada no sábado (27) pelo jornal Folha de S. Paulo) mostra Serra com confortáveis 48% das intenções de voto na Região Sul, contra 20% de Dilma.

Ele tinha uma missão
Quando eleito, Carlito tinha como principal missão, pelo menos dentro do partido, de mostrar que as acusações feitas pelos adversários de que o PT tinha “acabado” com as cidades de Chapecó, Itajaí, Blumenau e Criciúma, quando governaram estes municípios era mentira. Mas, ao contrário, com uma sucessão de desgastes, Carlito acabou dando arma pro bandido.

O Rei está nu


A derrota de Dário Berger, nas prévias do PMDB, no último sábado (27), deixou evidente que o poder do ex-governador Luiz Henrique da Silveira dentro do partido, pelo menos em Santa Catarina, já não é mais aquele de tempos atrás.

Os primeiros sinais de desgaste de LHS, entre os seus correligionários, aconteceu nas eleições de 2008, quando Luiz Henrique empurrou goela abaixo o nome do até então “forasteiro” Mauro Mariani para a disputar o pleito para prefeito de Joinville, renegando várias lideranças do partido. Mariani dizia na época que seria mais fácil ver vacas voando do que ele fazer menos de 15% dos votos. Fez um pouco mais de 12%.

Agora, novamente, LHS quis demonstrar que realmente manda e encampou, via escudeiros é lógico, o nome do prefeito de Florianópolis para ser o candidato do PMDB ao Governo do Estado. Mais uma derrota. Eduardo Pinho Moreira venceu a disputa por 99 votos de diferença.

Das duas uma, ou LHS não está sendo muito feliz nas suas escolhas, ou o “ velho MDB de guerra”, como ele gosta de dizer, está dando um recado ao agora candidato ao Senado: chega de dançar conforme a sua música. Capiche?

As palavras de Eskudlark

Interessante ver o delegado-chefe da Polícia Civil em Santa Catarina, Maurício Eskudlark falar em humilhação. Segundo ele, “Temos que nos humilhar com dignidade e refazer o trabalho. Não temos a obrigação de condenar ninguém, mas de apurar a verdade”. Ou seja, precisou uma decisão do Tribunal de Justiça para que o nº2 da segurança pública de Santa Catarina perceber que a polícia tem de fazer o seu papel: investigação.

Oscar do Rosário foi humilhado, a população foi humilhada e até a pequena Gabrielli foi humilhada. Então, nada mais justo que a atrapalhada polícia que pegou um suspeito perfeito e transformou num condenado perfeito, mesmo não tendo nenhuma prova contra ele, receba sua cota de humilhação.

Ainda segundo Eskudlark, “a decisão (do TJ) deve servir para melhorar o trabalho de investigação”. Mas não podemos esquecer que a polícia de Joinville e seu delegado regional são reincidentes. Antes de Oscar, Dirceu Silveira Júnior e sua trupe já havia se tornado vexame nacional com o caso do “maníaco da bicicleta”. Invadiu a casa de um inocente, prendeu o infeliz e ainda, em cima de uma foto do criminoso escolhido por ele, forjou um retrato falado para ser divulgado pela grande mídia. Mais tarde o verdadeiro culpado foi encontrado, mas o jardineiro Aloísio Plocharski já era reconhecido e descriminado nas ruas por ser o “maníaco da bicicleta”.

Nós já sabíamos

A notícia de que o pedreiro Oscar do Rosário seria libertado pegou a maioria da imprensa de surpresa. Depois da condenação, em agosto de 2008, os principais veículos de comunicação da cidade deram a “missão como cumprida”, ou seja, o pedreiro não era mais pauta. Hoje, os mesmos veículos que abraçaram a tese da polícia e taxaram Oscar como monstro dão destaque para informações que você, leitor da Gazeta, já sabia há muito tempo: Existiam falhas gritantes no processo, irregularidades nos procedimentos policiais e que a morte da menina Gabrielli pode não ter passado de um trágico acidente. NÃO HOUVE CRIME.





Quem é a mulher que devolveu Oscar aos braços da família

Pesquisando na internet o perfil de Salete Sommariva, encontrei um texto assinado pelo escritor Osvaldo Torres que descreve, de forma magistral, quem é a desembargadora autora do voto que influenciou outros quatro desembargadores e anulou o processo que condenou o pedreiro Oscar do Rosário a 20 anos de prisão:

"Formada em 1977 já com três filhos pequenos, começou a advogar em Criciúma, na época, um campo predominantemente masculino. Foi através do profissionalismo que conquistou colegas, magistrados e funcionários, ganhando o respeito e não teve dificuldades para crescer na carreira pelo fato de ser mulher.

Descobriu-se no Direito e mais voltada para as relações com a família, pelo envolvimento entre advogada, cliente e família, exigindo ser também uma espécie de psicóloga.

Veio o primeiro júri, as vitórias na carreira e o amadurecimento, sempre se aproximando cada vez mais dos menos assistidos materialmente, e foi na defesa dos fracos e oprimidos que fica a marca da sua trajetória, fazendo da profissão um sacerdócio."


Na manhã desta quinta-feira (25), enquanto Sommariva estava em Florianópolis, na sessão que reuniu as Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, durante quase seis horas, milhares de advogados, juízes e alunos de cursos de direito tiveram acesso ao voto que iluminou o caminho escuro em que estava o processo e partiu o cadeado que mantinha o pedreiro Oscar do Rosário, preso injustamente, em uma cela da Penitenciária Industrial de Joinville.

Aquele que era apenas um voto divergente, se tornou o voto vencedor não apenas convencendo a maioria dos desembargadores, mas também, derrubando o voto de dois relatores.

Profeticamente, a capa da edição 305 da Gazeta continha um lembrete "PARA GUARDAR". Se antes o voto de Sommariva já era considerado uma "aula de direito criminal", agora é um voto histórico que deverá ser citado em várias sentenças pelo Brasil à fora.

Então caro leitor, se você foi um dos felizardos a receber o encarte especial com o voto da desembargadora, reforço o conselho: este é "PARA GUARDAR".

Infraestrutura estacionada

É de causar espanto o número de ligações para a redação da Gazeta reclamando da situação em que se encontram várias ruas dos bairros da cidade. Todo dia, pelo menos um morador de um bairro, de norte a sul, de leste a oeste, denuncia o descaso da pasta comandada pelo pepista Arial Pizzolatti.

Guilhotina

O fato de deputados ficarem presos dentro do elevador e a morte do pai do presidente da Conurb Tuffi Michereff, por falha do desfibrilador do PA Norte – apesar da família garantir que o óbito de Salomão Michereff Neto, de 74 anos, não teve nada a ver com o problema – derrubaram o assessor de imprensa da Secretaria da Saúde. Ninguém confirma e todo mundo jura que não tem nada a ver, mas o fato é que Altair Nazário recebeu o cartão vermelho depois dos incidentes.

Pérolas

Ainda na discussão sobre a Lei Quinzinho, algumas pérolas foram cuspidas ao microfone. O vereador Adilson Mariano disparou: “Estamos brincando aqui? Fazendo Leis para não serem cumpridas? Já o tucano Jaime Evaristo (PSDB) alfinetou: “Se a Lei já tem 12 anos, por que não fiscalizaram quando vocês eram oposição?” Mas o troféu “a melhor do dia” vai para o petista Manoel Francisco Bento (foto): “Me atrevo a dizer que a metade das Leis aprovadas nessa casa não são colocadas em prática”.

Perguntar não ofende
Se o vereador Bento tem razão, o que os vereadores estão fazendo lá, já que apenas 50% das leis entram em vigor? Que tal reduzir também pela metade o salário dos nobres edis?

Lei não é para cumprir? Então cumpra-se

A sessão de terça-feira (23) da Câmara de Vereadores teve de tudo: troca de farpas entre oposição e situação, debate acalorado e acusações mútuas. Agora, se o leitor pensa que a discussão girava em torno do aumento da passagem de ônibus, da água ou do caos da saúde, está enganado. O “pau comeu” na votação sobre o Projeto de Lei Nº 274/09 – 09/11/09, de autoria do vereador Joaquim Alves dos Santos (PSDB) que institui uma Central Única de Cadastramento de Documentos e Objetos Achados e Perdidos.

Aonde pegou?
O embate começou quando o vereador Adilson Mariano (PT), ocupou a tribuna para “lembrar” os digníssimos parlamentares sobre a existência de uma lei idêntica, aprovada e sancionada pelo Executivo em 1998 (e lá se vão 12 anos). Para não perder a viagem, Mariano colocou fogo no debate ao questionar o porquê de uma lei nova se bastaria cobrar do Executivo a aplicação da antiga.

Só agora?
A alfinetada bastou para as duas alas que compõem a Câmara começarem a procurar culpados pela falta de fiscalização do legislativo para que sejam cumpridas as leis aprovadas e sancionadas pelo Executivo. Resultado: um culpou o outro, o outro culpou um e lá se foram preciosos minutos perdidos em uma discussão que não levou a nada.

Engavetada (1)
Para exemplicar, lá vão duas leis que foram aprovadas na Câmara, sancionadas pelo prefeito e esquecidas nas páginas do “Jornal do Município”. A primeira é a Lei 31/2005, de autoria da vereadora Tânia Eberhardt (PMDB), que obriga todo local com grande concentração de pessoas a ter um desfibrilador à disposição, em caso de emergência.

Engavetada (2)
A segunda é a Lei n. 6.248, de 09 de julho de 2008, de autoria do ex-vereador Fábio Dalonso (PSDB), aprovada no legislativo e sancionada pelo ex-prefeito Marco Tebaldi (PSDB) que obriga as escolas municipais a terem professores de educação física preparados e treinados para atuarem em situações de primeiros socorros, ou seja, “um socorrista professor” com conhecimentos técnicos para auxiliar em casos de emergência. Esta lei também repousa nas páginas do Jornal do Município nº 725, de 18/07/2008.

Resposta ao Sr. Carlos Roberto Silva

Caro leitor!

Infelizmente o "equivocado" é o senhor. Vicente Donini, hoje aos 66 anos, é um dos empresários mais respeitados do Estado. Ele transformou a Marisol, uma empresa familiar, numa das maiores indústrias têxteis do Estado e do país. De fato o empresário Vicente Donini construiu seu império em Jaraguá do Sul, mas é natural de Joinville, ou seja, uma valiosa Prata da Casa sim.

Uma simples conferência no Google, poderá eliminar qualquer dúvida sobre o assunto.

Grande abraço e continue participando do blog.

Não engolimos a farsa

O caminho em busca da verdade nem sempre é fácil, porém, cumprindo os mais elementares preceitos jornalísticos, essa Gazeta, não se intimidou em buscar a informação fora do vicioso circulo das fontes oficiais.

Desde o anúncio do nome de Oscar Gonçalves do Rosário, como o suspeito e réu confesso da morte da menina Gabrielli Cristina Eichholz, de apenas 1 ano e 6 meses, feito na chuvosa noite do dia 12 de março de 2007, na Delegacia Regional de Joinville, muitos caminhos foram percorridos na busca de indícios mais fortes do que a frágil confissão, que conforme o próprio acusado, foi arrancada com métodos pouco convencionais.

Entretanto, o que foi encontrado ao refazer o caminho inverso da suposta investigação, muito se diferenciou do crime que outros veículos de comunicação insistiam em afirmar existir.

Que imprensa é essa?

Foram radialistas enfurecidos, que ao ver a credibilidade do amigo delegado ser colocada a prova, realizaram precipitados julgamentos. Houve também jornalistas apoiados em convicções pessoais, além de promotores que incansavelmente tentaram dar veracidade a uma comprovada farsa, muitas vezes servindo de assessores de imprensa dos colegas de profissão.

Repórteres que contribuíram para que a injustiça ganhasse corpo, quando de suas confortáveis redações se limitavam a reproduzir apenas aquilo que chegava pelo telefone, ora da polícia, ora de promotores. Monstro, foi apenas um dos adjetivos atribuídos por alguns radialistas ao pedreiro Oscar Gonçalves do Rosário, que ficou injustamente privado de sua liberdade por três anos e treze dias.

Ao sabor do vento

Com isso, não apenas Oscar sofreu, mas, sua família e toda uma sociedade que viu ameaçada não somente a liberdade de um rapaz pobre, e sim a sua própria.

No entanto, o pejorativo “monstro”, se adequaria melhor aos que deliberadamente utilizam os microfones para sustentar a mentira e atacar a verdade sem qualquer compromisso com a ética que o meio requer.

São profissionais que mancham o jornalismo com uma ignorância sem precedentes na história da imprensa joinvilense.

Felizmente, o desfecho desse caso mostrou que a verdadeira justiça permanece cega e não se curva a factóides criados para desviar a atenção da verdade.

Como um barco a deriva, que navega conforme a direção do vento, muitos dos que condenavam Oscar, perceberam a proximidade do julgamento e entenderam que o surgimento da verdade seria irreversível, lançaram-se então ao sabor do vento e apressaram-se em suavizar suas palavras em relação ao humilde pedreiro.

Iniciativa tardia, pois, o comodismo e conivência demonstrados ao longo do caso, cortaram fundo a carne de quem foi arrancado do interior de sua casa e jogado em uma cela sem uma prova sequer que justificasse a materialidade de um crime nascido a fórceps. E que essas cicatrizes que jamais serão removidas, ao menos sirvam para reavivar a memória quando outro inocente perecer no cárcere da insensatez.

Essa Gazeta não merece mérito, afinal, não quebrou paradigma algum, apenas aplicou o conceito já existente de jornalismo, ou seja, o compromisso com o interesse público presente em todos os fatos jornalísticos que elegemos e divulgamos.

PERSONAGENS DA FARSA: A irmã que recebeu a ligação de Oscar

A irmã que recebeu a ligação de Oscar

Maria do Rosário, irmã de Oscar, 18 anos, esperou ansiosa a liberdade do irmão. Ela era a única que estava em casa no dia 12 de março de 2007, quando Oscar foi preso. Sempre emocionada e chorando ao tocar no assunto, a adolescente lembrava todos os dias daquela manhã em que Oscar foi preso.

Maria do Rosário foi à pessoa que recebeu a ligação que serviu de álibi para Oscar e que mais tarde foi comprovada pela companhia telefônica. No dia 3 de março, ela tinha acabado de chegar à igreja Nossa Senhora das Graças, no bairro Cristo Rei, em Canoinhas, onde dá aulas de catequese. Às 8h05, Após iniciar suas atividades juntamente com Maria de Lurdes, responsável pela igreja, seu telefone celular tocou pela primeira vez. Era Oscar que gostaria de falar com a mãe, dona Gracilda do Rosário. Maria respondeu não ser possível, pois ela estava dentro da igreja e pediu para o irmão retornar a ligação às 9h30, horário que deveria chegar em casa.

A jovem deixou então a igreja às 9 horas e caminhou em direção a sua casa que fica distante 2,5 km do local onde recebeu a primeira ligação. Maria caminhou sozinha por uma estrada de asfalto e por ruas de barro que dão acesso à residência, localizada no bairro Cristo Rei.

A caminhada leva por volta de 30 minutos, e no exato momento que ela pisou na calçada de casa o telefone tocou novamente. Essa ligação ocorreu entre 9h20 e 9h25. Era Oscar, novamente pedindo para falar com a mãe. A menina passou o telefone para Gracilda.

PERSONAGENS DA FARSA: Promotor Andrey Cunha Amorim

Mesmo sem provas materiais promotor denunciou Oscar

Em entrevista coletiva, no dia 27 de março, o promotor de justiça, Andrey Cunha Amorim, anuncia sua pretensão em denunciar Oscar. Na época, o promotor revelou que não havia como fazer o teste de DNA para comprovar a autoria do crime , dizendo, inclusive, que a realização do exame teria sido prejudicada.

Andrey afirmou que a roupa da menina estaria impregnada por líquidos corporais do suspeito, mas que foi entregue à família e acabou sendo lavada, prejudicando qualquer exame. Segundo ele, também não havia sangue. Entretanto, a afirmação entra em choque com as declarações concedidas pelo delegado Rodrigo Bueno Gusso, no dia 6 de março.

A denúncia do Ministério Público que foi assinada pelo promotor, alegou que a menina foi estrangulada, jogada no chão e posteriormente sofrido abuso sexual. Tudo contestado por especialistas.

PERSONAGENS DA FARSA: Juíz Renato Roberge

Juíz preferiu lavar as mãos e deixar juri popular decidir

O juiz da 1ª Vara Criminal de Joinville foi quem recebeu a denúncia do Ministério Público contra o servente de pedreiro Oscar Gonçalves do Rosário.

A farsa montada pela polícia no caso do pedreiro Oscar foi suficiente para convencer o juiz Renato Roberge a pronunciar o jovem por um crime cuja materialidade foi contestada por todos os legistas da cidade e até o renomado Badan Palhares.

Roberge, não considerou a completa impossibilidade do crime descrito pela promotoria, que não apresentou nenhuma prova material que ligasse o pedreiro à morte da menina e nenhuma testemunha para dar sustentação à acusação.

PERSONAGENS DA FARSA: Luzinete Soares

Ela atendeu Gabrielli mas não constava no inquérito

Foi a pediatra que atendeu Gabrielli Cristina Eichholz, no pronto-socorro do Hospital Hans Dieter Schmitd. Declarações da médica sustentaram que a fralda da menina estava intacta, sem sangue, esperma ou qualquer outra coisa que indicasse violência sexual. Após a verificação do óbito de Gabrielli, a pediatra encaminhou o corpo para o Instituto Geral de Perícias (IGP), um procedimento padrão nesses casos.

PERSONAGENS DA FARSA: Diderot Voigt Cordeiro

“Até ás 13 horas eu nem sabia que o Oscar existia”

Advogado que acompanhou a duvidosa confissão de Oscar, foi mais uma engrenagem da possível farsa montada pela polícia no caso da menina Gabielli. Detalhes que não haviam sido revelados pela polícia na ocasião da suposta confissão de Oscar, vieram à luz através de Diderot, que foi chamado somente 4 horas após a prisão do servente.

O advogado foi requisitado por um amigo que era policial naquela comarca para acompanhar o depoimento.

Ele disse não fazer idéia do que se passou com Rosário durante as o tempo em que ele ficou sem assistência jurídica, e afirma que um defensor deveria ter sido designado logo que o rapaz foi detido, “Até ás 13 horas eu nem sabia que o Oscar existia. Não se sabe o que aconteceu nesse espaço de tempo, pelo menos eu não sei”, revelou o advogado.

PERSONAGENS DA FARSA: Rodrigo Gusso

As maiores inverdades partiram da boca dele

No dia 12 de março de 2007, ele declarou a imprensa que haviam prendido o servente de pedreiro Oscar Gonçalves do Rosário, e que o mesmo era réu confesso. Gusso também confirmou ter havido um crime sexual, “Sim! Houve o abuso sexual, uma violência sexual, uma agressão física e conseqüentemente, à morte da menina”, afirmou o delegado.

Além disso, antes disso, no dia 6 de março daquele mesmo ano, o delegado deu a seguinte declaração para jornalistas da Agência Estado, “A agressão foi feita com extrema violência, a ponto de dificultar a coleta de esperma entre a grande quantidade de sangue nos procedimentos de necropsia”.

PERSONAGENS DA FARSA: Badan Palhares

O especialista analisa os laudos de “poucas linhas”

Oscar recebeu também a ajuda da maior autoridade em medicina legal do Brasil, o médico legista Fortunato Badan Palhares. O titular da Medicina Legal da Unicamp criticou o laudo que a Polícia e o Ministério Público usavam para fundamentar a acusação.

Segundo ele, o “laudo” de poucas linhas não trouxe o mínimo de informação sobre o corpo da vítima, e apresentou erros gritantes, como identificar uma parte natural da anatomia da criança com sendo uma ruptura anal. “Aquilo não é laudo”, relatou o legista. Demonstrar que não houve crime, desmontando o que o juridiquês chama de materialidade, já seria o suficiente para reconhecer a inocência do pedreiro Oscar Gonçalves do Rosário.

PERSONAGENS DA FARSA: Dr. Nelson Quirino

Legista revelou haver “absurdos” do laudo

O médico que atuou por mais de 25 anos no Instituto Médico Legal de Joinville, também contestou o laudo complementar produzido pelo médico João Domingos Koerich, que voltou atrás do primeiro laudo, onde afirmava morte por afogamento e estranhamente emitiu outro documento acrescentando sinais de esganadura e marcas que indicavam violência sexual.

Quirino, afirmou que para se atuar como médico legista é necessária muita vivência na área e informou que há uma série de procedimentos deveriam ser tomados e observados em uma necropsia.

Segundo Nelson, somente um profissional familiarizado com essa atividade poderia detectar evidencias em um caso complicado como foi este.

Para Quirino, o caso Gabrielli foi muito semelhante a outros já atendidos por ele, ou seja, uma asfixia por afogamento. Ele explicou que o diafragma de uma criança vítima de afogamento se comprime de tal forma na agonia, que comprime também os intestinos, fazendo que o organismo, de forma involuntária, comece a expelir fezes, provocando uma dilatação do anus e provocando o relaxamento dos esfíncters (músculos), que por sua vez, após o óbito, não retornam mais a sua normalidade. O médico declarou que atribuir a isso uma ruptura anal, foi um verdadeiro absurdo.

PERSONAGENS DA FARSA: João Domingos Koerich

Ele nunca tinha feito uma única sequer autópsia

O médico responsável pelo laudo cadavérico da menina, e que a se manteve em silêncio até o dia 15 de agosto de 2007, quando em sua única entrevista sobre o caso, respondeu com exclusividade a reportagem da Gazeta com uma afirmação bombástica: “Não houve estupro, nem atentado violento ao pudor. E a lesão no crânio, constatada no exame, poderia facilmente ter sido causada por uma queda”.

Ele confirmou, no entanto, que havia uma lesão no anus da menina, fato que pôde ser comprovada pelas fotografias feitas durante a autopsia, mas, admitiu que a origem da lesão poderia ter varias causas, e não evidenciava um possível atentado violento ao pudor. “Não houve penetração anal; esta no laudo”, e destacou: “Além desta lesão, o que a menina apresentava de estranho era um hematoma na região do pescoço”.

Na época, o médico também admitiu que aquela tivesse sido sua primeira autópsia, mas afirmou que estava apto a realizá-la, pois no curso de medicina em que se formou uma das cadeiras era a de medicina legal. “O objetivo do exame que realizei não era apontar um culpado, e sim determinar a causa da morte”. Koerich também revelou que não encontrou vestígios de sangue ou sêmen na região anal, o que não justificaria, portanto, um exame de DNA, como o alardeado pela polícia.

Em declaração assinada em cartório, a enfermeira Tânia Hack, que participou da necropcia de Gabrielli, afirmou que João Koerich chegou ao IML no dia 3 de março vindo de uma festa, com rosto muito vermelho, trêmulo e falando arrastado. Koerich chegou a admitir que não tinha condições para fazer o exame.